segunda-feira, 22 de setembro de 2008

EU E O AMOR


EU E O AMOR


Eu acreditava no amor. Mas o amor não acreditava em mim.


Até que um dia, eu estava de carro e por mera distração atropelei o amor. Achei que era o fim, que o amor havia morrido. Desci do carro e vi o amor dar seu último suspiro.O amor fechou os olhos e caiu para trás em meio aquela poça de sangue.Eu voltei para o carro e pensava se ligaria ou não para os bombeiros. Enquanto isso, o amor jazia ali no chão. Me senti um assassino. Um assassino sem amor.Eu pensei cá com meus botões: “Se o amor não acreditava em mim, por que eu vou comunicar aos bombeiros que o amor morreu?”Além do mais, seria muito estranho aquilo. Dei ré no carro e passei sobre o corpo sem vida do amor.Deixei-o no canto da rua, naquela encruzilhada escura. Enquanto eu dirigia, sentia uma ponta de arrependimento por ter passado por cima do amor. Ter deixado o amor para trás.Eu pensei que havia acabado. Que o amor já era. Que não haveria mais amor no mundo.Mas um dia, escutei um barulho na janela. Eu acordei pensando que era um ladrão. Andei com cuidado até a cozinha e acendi a luz. Ali estava o amor, com a geladeira aberta e minhas garrafas de cerveja na mão.Eu me assustei. Achei que era um fantasma.O amor sorriu e me abraçou. Ele estava de volta.Naquele dia, descobri que o amor era imortal.Desde então, toda vez que o encontro o amor, eu atiro nele.


Mas o amor é incansável. Ele sempre volta.

O amor voltou e eu pensei que ele era o mesmo. Mas ao matar o amor, eu havia morrido. Pensando que aquele era o mesmo amor, eu me iludia de que eu ainda era o mesmo.Talvez aquele até fosse o mesmo amor, mas eu jamais seria o mesmo.
"• Olha a minha cara, é só mistério, não tem segredo (y) εïз"

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